Manual Terrorista… Afinal não deixa de ser uma organização!
O manual de conduta dos sequestradores da
Al Qaeda
Um documento da rede terrorista detalha o que seus integrantes podem fazer com os sequestrados: casar-se com as mulheres, assassinar os militares e pedir resgate pelo restante
Num apartamento do popular bairro de Takrzaina, em Nuakchott, capital da Mauritânia, os policiais encontraram em 2008 um documento intitulado “A lei dos prisioneiros estrangeiros”, um manual clandestino da Al Qaeda no Magreb Islâmico (AQMI) sobre o que fazer e como tratar os sequestrados. Os três pontos principais do documento refletem a mente distorcida dos membros do grupo salafista argelino que atua com liberdade pelo inóspito deserto de Sahel: 1) Se houver uma mulher entre os sequestrados, pode-se tomá-la como esposa; 2) se forem inimigos (militares, policiais ou agentes secretos), há autorização para matá-los; 3) se não o são, deve-se negociar um resgate em dinheiro ou uma troca de prisioneiros. Os analistas franceses que assessoram a polícia mauritana estimam que os três membros da ONG catalã supostamente sequestrados por este grupo terrorista se encontram nesta última categoria. “Esperamos que peçam um resgate”, afirma um chefe da luta antiterrorista espanhola.
O manual, um punhado de folhas escritas em árabe, foi encontrado na casa onde se refugiou Jahen Olsaman, um islamista suspeito de participar do assassinato de quatro franceses, uma família com dois menores que passava férias de Natal a 250 quilômetros da capital mauritana. Olsalam cumpre hoje sua pena na prisão mauritana de Lahsar junto com outros 24 membros da AQMI, o grupo aliado a Osama bin Laden que tira o sono do chefes de inteligência de toda a Europa.
A AQMI se nutre de militantes de seis nacionalidades: argelinos, marroquinos, tunisianos, mauritanos, malineses e senegaleses, e, na Europa, recruta integrantes principalmente na Espanha e na França, segundo informes confidenciais do Centro Nacional de Inteligência (CNI), O Comissariado Geral de Informação da Polícia e a Guarda Civil.
Olheiros como o professor de taekwondo marroquino Mbar el Jaafari, preso em Reus em 2007, enviaram mais de uma centena de recrutas da Espanha para Sahel, para serem treinados no deserto com armas pesadas, morteiros e explosivos, segundo fontes consultadas por “El País”.
Outros grupos, como o dos seis islamitas que foram julgados há algumas semanas na Audiência Nacional, em Madri, invadem chalés na Costa do Sol e roubam joias para financiar sua atividade no deserto. Eles fornecem um fluxo intermitente de centenas de milhares de euros para financiar a jihad na nova base da Al Qaeda na África. As prisões espanholas são uma mostra de sua frenética atividade na Espanha. “Até quando nossos filhos, irmãos e mulheres puras e virtuosas abarrotarão suas prisões?”, perguntava-se um dos dirigentes num comunicado.
Um analista de inteligência espanhol explica a situação da seguinte
maneira: “São imigrantes marroquinos e argelinos de primeira e segunda geração que deixaram tudo, família e trabalho na Espanha, para se juntar à jihad na África. Desapareceram de repente de suas casas e mais tarde ficamos sabendo que viajaram para o Sahel, um destino tão apreciado por eles quanto antes o era o Iraque”.
Desde 2007, os informes das Forças de Segurança espanholas advertem ao governo de forma reiterada e sem rodeios sobre a ameaça representada por esta nova base da Al Qaeda na África. “Dos atentados e sequestros no Sahel, eles podem passar a enviar grupos à Espanha para semear o terror. Isso sim que nos preocupa”, afirma um chefe da Guarda Civil.
O libanês Abu Yahya al Libi é o ícone dos jovens mauritanos que se unem à AQMI, uma organização que reúne o Grupo Islâmico Combatente Líbio, do qual provém Yahya, o Grupo Islâmico Combatente Marroquino (GICM), vinculado ao 11-M, os salafistas argelinos do Grupo Salafista para a Pregação e o Combate (GSPC), além de movimentos tunisianos e outros grupos satélites. “Não há desculpa para ficar fora desta aliança… A ‘umma’ (comunidade) não pode vencer seus inimigos se não for capaz de renunciar a suas diferenças”, advertiu em 2006 o emir Abu Musad Abde-I-Wadud em seu manifesto de adesão a bin Laden.
Nos anos 90, Abu Yahya, o herói dos islamistas mauritanos, estudou religião durante cinco anos numa madrasa (escola muçulmana) mauritana, casou-se com uma jovem local com a qual tem vários filhos e juntou-se a bin Laden no Afeganistão. Depois da invasão norte-americana em 2001, foi capturado e fugiu da prisão de Bagram. Desde então, aparece em vídeos na Al Jazeera nos quais justifica a jihad.
Sua esposa mora em Nuakchott e promove a imagem de seu marido com protestos diante do governo mauritano. A polícia a vigia e a proibiu de sair do país para viajar a Meca. Os Estados Unidos oferecem uma recompensa de US$ 1 milhão por Abu Yahya al Libi. Foi ele quem plantou a semente islamista que agora cresce na Mauritânia, um país muçulmano de cerca de 3,3 milhões de habitantes, onde antes não era comum ver barbas longas, burkas nem véus.
A base da Al Qaeda no Sahel, a região árida e semi-desértica da África que se estende desde o oceano Atlântico até o Mar Vermelho, tem seu refúgio mais seguro em Mali, país que faz fronteira com a Mauritânia e para onde os sequestradores supostamente levaram os espanhóis. Dos
13,5 milhões de habitantes, 90% são muçulmanos, há 17.500 mesquitas, mas em Bamaco é difícil encontrar uma burka. Em Timbuctu e Gao, ao norte do país, é diferente. Ali fica o cativeiro preferido da AQMI para esconder seus sequestrados, uma zona impossível de vigiar, para onde George Bush enviou forças especiais para treinar o raquítico exército de cerca de 7.500 homens. “Um esforço insuficiente”, nas palavras de um diplomata da região.
“Não me cumprimente na rua”
Mohamed, um profissional mauritano que mora em Madri, explica a mudança que aconteceu em seu país: “Um dia bateram à minha porta. Era um amigo que havia desaparecido da cidade. Estava com uma barba comprida e vestia uma túnica. Olhou para mim e disse: ‘Sua família não cumpre as regras do Alcorão. Por favor, não me cumprimente quando me encontrar na rua’. Pouco depois o prenderam como suspeito de ter participado de um atentado. Esta é a consequência do trabalho de pessoas como Abu Yahya.” Jovens de um país pobre e sem oportunidades, como o argelino Ahmed Salem Uld M’Beinik, que no mês de agosto passado se lançou com um cinturão de explosivos contra a embaixada da França em Nuakchott.
Segundo sua mãe, ele não sabia nem uma palavra do Alcorão, o homem que o recrutou ofereceu-lhe trabalho como vendedor de peixes na fronteira e fez-lhe uma lavagem cerebral para que se suicidasse por Alá. “Saiam, que tenho uma bomba!”, gritava o rapaz para os transeuntes ao chegar perto do escritório diplomático. O terrorista tropeçou contra um muro e dois policiais e uma jovem ficaram feridos. Meses antes, o norte-americano Christophe Languet fora assassinado a tiros no centro de Nuakchott. “Temos medo de que isso se transforme em uma nova Somália”, confessa um funcionário mauritano.
A adesão cega da AQMI a bin Laden se reflete no comunicado que Abu Musab Abde I Wadud, o emir do Grupo Salafista para a Pregação e o Combate (GSPC), divulgou em em 2006. “Decidimos prometer fidelidade ao chefe Osama bin Laden. Fechamos o acordo com um aperto de mãos e oferecemos a ele o fruto de nossos corações. Continuamos nossa jihad na Argélia sob seu comando, para atacar, em nome de Alá, quem ele quiser, e quando quiser.”
Tradução: Eloise De Vylder
fonte:
Em Madri (Espanha)
É o DEMO, demorô mais abalou!!
Se não aguenta pede pra sair
José Roberto Arruda não agüenta pressão e pede desfiliação do Democratas
José Roberto Arruda, atual governador do Distrito Federal está com seus dias contados em seu cargo. Ontem (10), ele se antecipou e pediu sua desfiliação do Democratas para evitar o vexame de ser expulso do partido. Estamos agora esperando seu pedido de renuncia.
Ao justificar sua decisão, Arruda deu ênfase no caráter político que diz ter, na fé que tem na nossa justiça e ainda afirmou que precisamos de um reforma política. UAU precisamos de uma reforma política senhor governador? Acho que ninguém tinha pensando nisso… Estou surpresa!
Essa ação o impede de disputar a reeleição em 2010, mas não o impede de chorar no palanque em 2014 e se mostrar arrependido novamente e se reeleger. O povo ama um drama. Acho que as lágrimas são as ferramentas que fazem essa ligação direta com o povo.
Jesus, Maria e José nesse natal, mais que em qualquer outro, foram citados como fonte pelo governador que ele foi vitima de uma mazela arquitetada por seus inimigos políticos. Ora governador, nós acreditamos no senhor. Natal é tempo de fantasias… Assim como na páscoa esperamos o coelhinho trazer ovos de chocolate e no halloween as bruxas realizarem seus feitiços macabros. Povo brasileiro sem dúvidas vive no PARK DA XUXA!
Relaxa em 2014 muitos não se lembraram do que fez, mas pessoas como eu estarão ferrenhamente lembrando a todos que utilizam a internet como fonte de pesquisa e de conhecimento, para mostrar o quão indigno de confiança o senhor é.
A Dança é para todos
4ª Mostra de Dança Cigana Artística Inclusiva vai mostrar que não existem limites para viver a arte.
No dia 11 de dezembro, às 21h, na sala Martins Penna no Teatro Nacional, o grupo de dança da Associação Cultural Namastê, que abriga portadores de necessidades especiais (deficientes visual, auditivo, físico, mental, entre outros), vai se apresentar. Esta mostra é resultado de um projeto de dança que vem sendo desenvolvido sob a idéia de inclusão a partir da dança pela Associação.
A apresentação contará com mais de setenta alunos, com idades entre dois e sessenta anos. Um dos objetivos do projeto é estimular o desenvolvimento motor, cognitivo, afetivo e social através da dança valorizando descobertas corpóreas e emocionais. A iniciativa conta ainda com o suporte de psicóloga, psicopedagoga, professor de teatro, entre outros profissionais.
Informações
Produção: Ubirajara Rangel
(061) 9263-4600
Hora: 21h
Brasil uma Falsa Democracia

Caras Pintadas
Movimentos Estudantis Marcados Novamente por Violência em Brasília
Em 1945 o Brasil se deparou com o fantasma da ditadura militar. Quem de nós não conhece alguém que não sofreu com o abuso de poder naquela época e até não ouviu depoimentos de pessoas que gostariam que aquele tempo voltasse? Há quem diga que naquele tempo o país andava na linha! Pois é meus senhores, nossa luta por ter voz ativa no Brasil, por ter direito de expressão e fazer com que nossas vontades a serviço do bem comum fossem realizadas, está a cada dia falecendo. Nossa falsa democracia nos faz engolir nossos direitos, somos obrigados a assistir nos noticiários quanto de nós está sendo afanado todos os dias e além de sofrermos violência moral agora até quando reivindicamos por melhorias, somos agredidos fisicamente. CADÊ a oposição para nos ajudar? Porque todos estão calados?
Nem quero falar o quão utópico é o poder do voto no Brasil, sim, utopia, já que em todas as eleições sonhamos com representantes que possam ser o espelho da comunidade no poder e na realidade o que presenciamos? Nebulosidade!!! Ninguém sabe ao certo por mais que pesquise em quem estão votando. Qualquer um faz um vídeo de 1 minuto falando até de Jesus ou canta um forró e pronto, o partido apóia, afinal o objetivo é conseguir defender interesses internos, o povo é coadjuvante nas eleições.
O MAIOR dos engodos! O erro não está somente na escolha dos candidatos, está na transparência dos partidos. Se a demagogia e a politicagem fossem deixadas de lado, e falasse: Olha povo carente eu quero seu voto pra financiar viagens para Miami, eai como vai ser? Esse teria meu voto, que pelo menos ele foi honesto em dizer que vai usar o meu voto pra se beneficiar. Já que eu nunca vi um político honesto na minha vida. Roubar na cara logo, é mais justo, já saberei pra onde está indo minha contribuição.
Na verdade senhores a minha vontade é que o voto não fosse obrigatório, que nossa população fosse consciente do seu papel, que não fossem egoístas. O Brasil é desse jeito, terra de ninguém, porque nós deixamos assim. Qualquer um fala o que quer do nosso país porque somos os primeiros a sorrir, achamos lindo ser motivo de chacota? Presidente alcoólatra, mulheres lindas prostitutas e drogas… Quantos rótulos neh?! Generalizações que denigrem.
O movimento estudantil que marcou a década de 1992, os Caras Pintadas, nome dado aos jovens e estudantes que pintaram o rosto de verde e amarelo e organizaram passeatas pelo impeachment do ex-presidente Fernando Collor de Mello. O primeiro presidente eleito pelo voto direto desde 1961, quando Jânio Quadros saiu vencedor das urnas, foi acusado pelo próprio irmão, Pedro Collor de Melo, de cumplicidade com seu tesoureiro de campanha, Paulo César Farias, acusado de cometer crimes como enriquecimento ilícito, evasão de divisas e tráfico de influência.
Esse movimento ficou super famoso e inspira nossos jovens a serem firmes nas decisões que tomam em prol de todos. Política são ações tomadas em defesa de um grupo, não precisa estar em um plenário para ser reconhecida como tal, assim como ética não se aprender na faculdade. Ética é o nome bonitinho para bom senso, para consciência e caráter. Cada um nasce com seus valores e a experiência de vida e a maturidade vai se encarregando de moldar e ajustar o que é necessário pra se viver em harmonia e respeito.
Ontem (09), jovens e estudantes novamente foram às ruas de Brasília para pedir o afastamento do atual governador José Roberto Arruda, por corrupção. E advinha só? Foram agredidos com cacetadas, quase foram pisoteados por cavalos, sim gente, cavalos, animais… Não os policiais cavalos… Bombas de gás lacrimogêneo e efeito moral foram lançados para contê-los. Engraçado, será que se jogássemos bombas na Câmara pra conter a corrupção ou chamássemos os “verdadeiros” donos do Brasil, o PCC mudaria algo? Fiquei curiosa…
Enfim, quem quer mudar algo no Brasil deveria fazer como esses jovens, mostrar a que veio… Como na ditadura os oprimidos hoje ganham processos com a anistia, se caso passarem dos limites no futuro poderemos pedir também. Olha como nossa justiça é caridosa…
MANIFESTEM-SE, não importa como apenas: FAÇA!
LOUCURAAAAAA
Roriz 2010!!!! O que será de nós??????? Mais uma vez nos vemos na iminência deste ERRO que é nosso ex-governador…
Nota divulgada nesta segunda-feira:
Tendo em vista o que aconteceu nos últimos dias e depois de uma análise preliminar dos documentos disponíveis, julgo importante fazer as seguintes considerações:
1 – Durante 8 anos o denunciante, Durval Barbosa, hoje réu em 32 processos, todos por atos praticados no governo anterior, foi presidente da Codeplan, empresa de informática do governo Roriz.
2 – Recursos eventualmente recebidos por nós do denunciante para ações sociais, nos anos de 2004, 2005 e 2006, entre os quais o que foi exibido pela TV, foram regularmente registrados ou contabilizados, como o foram todos os demais itens da campanha eleitoral.
3 – Na montagem da equipe de governo, o denunciante desejou continuar na empresa de informática. Avisados de que ele respondia, como réu, a processos por condutas praticadas no governo anterior, não concordamos com sua permanência no mesmo posto, e o mantivemos no governo, em outro setor, meramente burocrático, já que não havia ainda nenhuma condenação.
4 – Criamos uma Agência Técnica de Informática. Mais tarde, informados que na nova Agência de Informática ainda havia problemas, extinguimos a Agência, demitimos os servidores sob suspeita e descentralizamos todos os serviços (decretos nºs 29.674 e 30.010, em anexo)
5 – O nosso governo reduziu os gastos de informática em mais de 50% em relação ao último ano do governo passado. Isto contrariou a muitos interesses políticos e empresariais que, agora fica claro, são ligados ao denunciante.
6 – Quanto ao diálogo gravado no dia 21 de outubro, fica claro que foi conduzido para passar uma versão previamente estudada. A avaliação preliminar dos nossos advogados me alerta que os supostos “defeitos” ou “aquecimento” e “resfriamento” do aparelho de gravação, conforme consta dos autos, acabaram por truncar e comprometer o teor e o sentido da conversa, inclusive com a “desconfiguração dos dados armazenados”. Os advogados estão estudando essa questão. O denunciante propunha, dias antes do encontro, a realização de pesquisas, conversas para acordos políticos e doações para campanha por empresários amigos dele. Deixamos claro que não aceitaríamos essas doações, pois só cuidaríamos de campanha no próximo ano, e sugerimos apoio às campanhas de deputados da base de apoio ao governo, na forma da lei.
7 – Quanto a outras imagens e/ou outros informes inseridos no inquérito relativos a doações que ele teria feito a outros políticos, é preciso que haja uma análise cuidadosa dos advogados para esclarecer melhor as datas e as responsabilidades.
8 – Finalmente, os nossos advogados estão analisando detalhadamente os autos para, no momento próprio, apresentar nossas posições. Além das investigações internas que determinei, com o apoio da Controladoria, da Procuradoria e da Polícia Civil, vamos colaborar com tudo que for necessário para as investigações do Ministério Público Federal e do Superior Tribunal de Justiça.
9 – Confiamos na justiça e vamos continuar trabalhando no dia a dia do governo, agora livres dessa herança maldita do governo anterior.
José Roberto Arruda
Governador do Distrito Federal
Salatieu Eurípedes.
Brasília é a verdadeira novela das 8 – Capítulo da semana: Governador nega ajudar marmanjo a colocar dinheiro nas meias
Dia Mundial de luta contra AIDS 1° de dezembro
Ellen Oléria juntamente com Célio Maciel, Paula Zimbres, Rodrigo Bezerra e Felipe Viegas unem forças com o SESI Cultural de Taguatinga Norte, na Luta contra a AIDS.
as 20:00h desta terça-feira 01 de dezembro
Ingresso: 1kg de alimento não- perecível.
Destino: instituição VIDA POSITIVA que cuida de crianças soropositivas.
Venham e divulguem aos seus contatos!
Dione
9106-2328/3355-9566
Centro Cultural SESI
Taguatinga Norte
Identidade Nacional Brasileira
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Apresentamos a seguir os principais temas e articulações de um trabalho em andamento sobre a identidade nacional brasileira:
1. O que é ser brasileiro? Será mesmo que faz sentido falar desse ser? É fácil afirmar a existência da Nação brasileira, se atentarmos apenas para os aspectos geográficos, jurídicos ou diplomáticos. E definir a identidade brasileira como o atributo, a etiqueta do conjunto populacional, ou dos indivíduos, que vivem dentro desse quadro formal. Mas parece que Nação e identidade nacional exigem algo mais. Como, por exemplo, um consenso em torno de certos valores, e uma diferença entre ele e outros tipos de consenso, ou entre eles e outros consensos nacionais. Ora, desde os fins do século XIX, muitos têm duvidado seja da coesão brasileira seja da diferença específica do Brasil.
2. Hoje essas dúvidas se acham reforçadas, face a três categorias de indagações:
a) Como poderia haver consenso de base num país caracterizado historicamente por consideráveis desigualdades econômicas, sociais, culturais e políticas – entre classes, etnias e regiões – e, no momento, pelo agravamento das dificuldades socio econômicas? Principalmente se observarmos o aumento da marginalidade, da criminalidade, do enclausuramento dos ricos e poderosos – fenômenos que parecem assinalar, aos olhos de alguns, a ressurreição, perversa, de uma sociedade de estamentos.
b) Como poderia o nível nacional manter uma significação central, se o que presenciamos é a proliferação das identidades locais, de bairro em particular? A novidade não é apenas quantitativa como qualitativa: a diferença com o passado é que, agora, tais identidades não parecem mais se situar em relação a uma identidade nacional; ou seja, não reconhecem a capacidade de regulação e arbitragem em última instância do Estado Nacional. Esse Estado é percebido como instância de coação pura.
c) Não é também o nível nacional minado por cima, devido ao crescente cosmopolitismo da cultura? Mesmo porque esse cosmopolitismo não é igualitário, e repercute no seu âmbito as dissimetrías e desigualdades que acompanham a internacionalização da economia.
3. Tais indagações têm suscitado dois tipos de respostas:
a) Há quem exclui pura e simplesmente a existência de uma identidade nacional brasileira. Se tanto é que existiu no passado, ela estaria sumindo. Não se pode negar, admitem, a presença de certos traços etnoculturais comuns à maioria da população brasileira; embora esses traços sejam diversamente modulados conforme as regiões, as classes sociais, os níveis de instrução. Esses traços, manifestos por exemplo nas religiões populares, nas atividades lúdicas, nas distinções operadas entre a Casa e a Rua, podem definir uma brasilidade. Até um caráter nacional, em que pesem as conotações ideológicas e simplificações que, via de regra, acompanham essa noção. Mas não há consenso nacional em torno de valores básicos. Nem para defender ou promover aqueles Valores revelados pelos traços etnocuiturais. O que presenciamos é, tão-somente, a generalização e a repetição de certos fenômenos socioculturais em toda a extensão do território dito nacional. Nada indicando que o atomismo tantas vezes atribuído (Alberto Torres, Oliveira Vianna, Nestor Duarte) à sociedade brasileira tenha sido superado. E, na falta de um consenso com que ela poderia se articular e se combinar, a própria brasilidade – ou seja, a diferença entre o Brasil e as outras nações – está fadada a resvalar para o folclore, para o atrativo turístico. A sucumbir, também, ao rolo compressor dos cosmopolitismos.
b) Outros, porém, pensam que a denúncia da inexistência da identidade nacional brasileira é insuficiente. Pois não há como negar que o discurso da Nação - quer se apresente como discurso sobre a Nação, para a Nação ou da própria Nação – está florescente, em particular na imprensa. Lemos constantemente frases do seguinte gênero: “A Nação assiste estarrecida e indignada a tal acontecimento”. Isso revela uma substancialização, uma ontologização da Nação. E, no rastro dela, os brasileiros, ou muitos deles, se imaginam portadores de uma identidade nacional. Devemos, portanto, explicar essa aparente contradição: como entender que a referência à Nação brasileira e à identidade nacional brasileira seja moeda corrente, se essa referência não corresponde a nada de real?
É a indagações desse tipo que procuravam responder os “Ensaios sobre o Nacional e o Popular na Cultura Brasileira”1, no início da atual década. Tentemos articular e sistematizar as teses difusas nestes “Ensaios”:
· Certos grupos ou instituições têm a preocupação de difundir a temática da Nação – isto é, expressões como identidade nacional, auto-afirmação nacional, cultura brasileira, etc. É que essas expressões sugerem, senão a negação da própria existência da luta de classes, pelo menos a obrigação de subordinar os interesses e identidades de classe – ou de regiões, etnias, famílias, indivíduos – a um interesse geral e a uma entidade mais abrangente.
· A articulação e a difusão do discurso nacional não obedece, portanto, à intenção acadêmica de explicitar o significado dos termos e expressões desse discurso. Ou melhor, mesmo quando essa intenção está presente, ela não constitui um passo autônomo. Acha-se integrada, entre outros elementos, a uma estratégia de poder. De forma que o que esse discurso propõe não é um estudo, mas uma ideologia da Nação, da identidade nacional, do interesse nacional, da cultura nacional, etc.
· Essa conotação ideológica não seria, por si só, depreciativa. Só que o discurso nacional não vai, como querem imaginar, ao encontro de um anseio genuíno das camadas populares. Se fosse o caso, as elites – portadoras do nacional – se limitariam apenas a formular e sistematizar – como os intelectuais, segundo Gramsci – sentimentos e aspirações comuns a todos; teríamos, então, o nacional-popular. Ou seja, o consenso de muitos em torno de certos valores; e a identidade nacional – definida, em nível coletivo, como sendo o próprio consenso, e, em nível individual, como a participação de cada um nesse consenso. Mas tal não é o caso: o que é nacional, no Brasil, não é popular; e o que é popular não é nacional. O elemento popular se exprime através de várias identidades, religiosas, lúdicas, etc., sim, baseadas no consenso dos seus participantes. O conceito de nacional-popular é vazio, pelo menos na atualidade brasileira.
· Nessas condições o discurso nacional tende a se esgotar em si mesmo e nas vontades ou práticas de poder que lhe são associadas. Vontades, aliás, conflitantes entre si e que disputam a apropriação do símbolo Nação. Se é assim, a Nação não é senão a encruzilhada ou o conjunto, movediço, dos discursos concernentes à Nação, à identidade nacional, ao nacional-popular, etc., aos quais convém acrescentar outras linguagens, como os ritos comemorativos da nacionalidade. Logo a ideologia da Nação e a Nação se confundem, mesmo que a primeira possa conter, num ou noutro ponto, alguma verdade objetiva.
· No entanto, o discurso nacional ou tal das suas variantes, de direita ou de esquerda, pode alcançar certa ressonância popular, devido ao fato de que ele não é simples palavra ou ideologia solta no ar, mas se insere numa rede complexa de práticas de dominação. Desta forma podemos dar outra definição da Nação: é a comunidade em que certo tipo de discurso sobre a Nação tem razoável aceitação. Mas fica entendido que essa aceitação não tem nada de nacional-popular (tai como o nacionalismo imagina o nacional-popular); é algo artificial, postiço, logo precário, apesar da pressão dos aparelhos ideológicos de Estado e outros. A difusão generalizada da temática da Nação não contradiz, portanto, a crise que a idéia de Nação parece estar atravessando, hoje, no Brasil.
As teses dos “Ensaios…” (ver nota 1) estão discutidas ao longo do nosso trabalho.
4. Endossamos em grande parte a análise crítica do nacional-popular, tal como ele se apresenta em certos aspectos da atualidade brasileira, isto é, como unidade ilusória e, portanto, como ideologia dele próprio. Crítica parecida já estava presente no trabalho inovador de Carlos Guilherme Mota sobre ” A Ideologia da Cultura Brasileira”. Nos dois casos trata-se de desmistificar, ou desarticular, entidades (a cultura brasileira ou o nacional-popular) que se oferecem como evidentes, como não-suscetíveis de serem questionadas. Fazemos, todavia, três tipos de ressalvas às análises críticas dos “Ensaios…”:
a) O conceito de nacional-popular não parece intrinsecamente vazio, ou contraditório. Como o queriam outrora Kenan, à direita, e Gramsci, à esquerda, pode haver em tese – e provavelmente houve na história das velhas nações – união real, embora parcial, do nacional e do popular. Ou seja, pode haver consenso popular em torno de valores nacionais e identidade nacional de quem participa desse consenso.
As diferenças ou oposições de classe ou etnias, regiões, etc. invocadas para demonstrar a impossibilidade de tal consenso não devem nos fazer esquecer que a invenção da Nação, das primeiras nações, se deve precisamente à necessidade de criar um liame forte – portanto não artificial, não redutível a uma ideologia do liame ou a um discurso sobre o liame - entre elementos muito heterogêneos. Nações homogêneas, como a atual Polônia – composta quase unicamente de elementos ao mesmo tempo poloneses e católicos -, são a exceção, não a regra. Mais exatamente a Nação originou-se do descompasso entre duas categorias de fenômenos, a partir dp século XVI:
· Grande complexidade das sociedades ocidentais em termos de regiões, etnias, estamentos e classes (incipientes).
· Paralelamente a unidade infra-estrutural crescente dessas sociedades, pela generalização da economia capitalista e pela articulação de todos com todos através da divisão do trabalho (a solidariedade orgânica de Durkheim). Cria-se um espaço econômico unificado, progressivamente despojado de barreiras e limitações corporativas.
A invenção da Nação – ou melhor, a transformação em Nação de um espaço político previamente circunscrito e fechado pelos acasos de uma história dinástica, militar, etc. – se dá sob o impulso inicial do Estado, para igualar os dois aspectos acima expostos. O primeiro deve se equiparar ao segundo, a sociedade deve se tornar para si o que ela já é em si, em nível econômico infra-estutural. Ou seja, unificada. Esse para si, por sua vez, só pode ser algo espiritual, seja qual for a maneira de interpretar essa espiritualidade. Não necessariamente como uma fusão das consciências, operada pela solidariedade mecânica, como queria Durkheim. O essencial é destacar os dois aspectos. Primeiro, a Nação tem um caráter abstrato: mesmo nos momentos de entusiasmo coletivo, ela não é sentida por seus membros como é sentida, por exemplo, uma comunidade local ou uma propriedade como a brasilidade. Mesmo baseada no consenso, ela paira em cima do social imediato. Segundo, e correlativamente, ela comporta uma esfera pública - no sentido de Habermas e, antes dele, do Marx da “Questão Judaica” -, na qual ou em torno da qual são tratados, hierarquizados ou reestruturados os interesses das várias categorias de participantes, a fim de se chegar à definição de um interesse geral. Definição movediça, sujeita à flutuação das relações de dominação, mas que, salvo em épocas de decadência ou de crise, busca a transformação dessas relações em relação de hegemonia, em virtude da própria necessidade que deu ensejo ao invento da Nação. A identidade nacional, da sociedade como um todo – no sentido em que Braudel fala da “identidade da França” – se torna então possível, e não como mero artefato ideológico. Em que pesem os conflitos, mesmo quando irredutíveis, de classes, etnias ou regiões.
b) Deve-se reconhecer que, no âmbito cívico-político, o Brasil de hoje destoa bastante desse tipo ideal do nacional-popular. O próprio êxito, relativo embora, do discurso nacional e das identidades nacionais outorgadas que ele fabrica, revela que ele se impõe – ou se impôs ate o momento – num semivácuo. Ou, mais exatamente, devido à impossibilidade secular em que se encontrava a grande massa da população de romper certos bloqueios históricos e de ter acesso numa ação coletiva autônoma, geradora de uma nova identidade nacional. Mas a idéia, subjacente nos “Ensaios…”, de que as massas são, no fundo, alheias à questão nacional – só lhes interessariam as identidades de classe, ou de base -, e por isso mesmo superficialmente manipuláveis, esbarra em duas objeções. De um lado, pode haver um potencial popular pronto a cristalizar nesse sentido (e esse tema está desenvolvido na conclusão do trabalho). Mesmo porque a proliferação, já referida, das identidades de base necessita um quadro global em relação ao qual, e dentro do qual, ela possa se situar; e porque esse quadro não pode ser, desde já, nem uma comunidade universal nem mesmo uma comunidade latino-americana. De outro lado, mesmo em se tratando do nacional-popular ilusório apontado pelos “Ensaios…”, encontramos o seguinte dilema:
· Ou constata-se que o discurso nacional não pega junto a seus destinatários e então sua inutilidade já deveria ter ficado evidente. E o discurso, sumido do palco;
· Ou então se constata que ele pega, quando nada em superfície. Mas, neste caso, parece difícil explicar essa aceitação só pelo peso das práticas de dominação. O discurso nacional deve encontrar âncora, senão numa identidade nacional já presente no ouvinte, pelo menos num anseio para que tal identidade se desenvolva, eventualmente dirigida contra as práticas de dominação associadas a esse discurso. De modo geral, a possibilidade de reduzir a Nação e a identidade nacional à ideologia da Nação ou da identidade nacional – de fazer tudo caber dentro da ideologia “De” e do discurso “Sobre” – constitui uma possibilidade-limite. Onde quer que haja uma certa continuidade e generalidade do discurso nacional, as coisas nunca podem alcançar esse limite, se bem que possam se aproximar dele.
c) As próprias análises dos “Ensaios…” deixam vislumbrar a possibilidade de um nacional-popular autêntico. As críticas que dirigem ao nacional-popular dizem respeito, sobretudo, ao caráter ilusório de um consenso nacional político, ou cívico-político, em torno de objetivos também políticos, como a realização de objetivos do tipo Pátria Grande ou Brasil-Potência. O nacional-popular, na esfera cultural, não parece criticado enquanto tal; ou seja, não se exclui que haja um consenso – no caso, uma comunhão – em torno, por exemplo, da música popular – ou popular/erudita – brasileira. Quando José Miguel Wisnik avalia o propósito, por parte de Villa-Lobos durante o Estado Novo, de espalhar os coros orfeónicos pelo Brasil afora, ele não acha ilegítima a possibilidade de que, com isso, o Brasil se transforme numa festa, num imenso auto-espetáculo. Denuncia, apenas, a intenção de fazer do coro um instrumento de integração sociopolítica: pois cada coro devia se tornar um microcosmo de Brasil novo, e exemplificar a unidade do país e o disciplinamento das paixões, pretendia-se, a partir de um nacional-popular musical eventualmente autêntico, suscitar ou reforçar uma comunidade política ilusória.
5. A idéia de um nacional-popular cultural – e de uma identidade nacional nele baseada - é, aliás, um tema familiar para toda uma tradição antropológica e/ou literária. Procuram circunscrever uma brasilidade. Mas, a partir dela, vão além. O que lhes interessa, sobremaneira, é que a cultura, através dos seus portadores, se torne auto-referencial – sem se fechar numa torre de marfim, ao contrário – e vise seu próprio alargamento e aprofundamento. Nisso consiste sua universalidade. Não há, é claro, imperativos categóricos, que seriam do tipo devemos todos desfrutar o Carnaval; nem mesmo se pode decretar “devemos praticar um anticarnaval”, um carnaval da miséria, como aquele encenado por Joãozinho Trinta. Tais imperativos representariam uma invasão da esfera sociocultural por atitudes éticas ou ético-cívico-políticas. Mas parece que a idéia de esfera pública - com valores a serem protegidos ou promovidos, pelo desejo senão por obrigação – está presente no campo cultural também.
É esse aspecto que aparece na interpretação que Maria Isaura Pereira de Queiroz dá do Carnaval. Este é visto, em certas das suas manifestações, como uma forma de auto-afirmação popular, que concerne potencialmente a muito mais gente do que o pequeno grupo diretamente envolvido. E também é algo essencialmente cultural. Pode ser, é verdade, que haja nisso uma forma de protesto contra a impossibilidade de uma participação política efetiva, em particular em nível nacional. Mas, mesmo nesse caso, isso não significa que o Carnaval seja praticado como uma atividade política de segunda categoria, ou disfarçada, ou indireta. Simplesmente, face às dificuldades presentes para participar de uma vida política autêntica, se optou por outra forma de vida, em que se torna possível uma experiência comunitária, que desejam por sua vez estender em nível nacional. Em Roberto da Matta encontra-se uma idéia parecida: com o Carnaval presenciamos o advento de uma comunidade efêmera, mas real e original, que permite agüentar ou compensar até certo ponto as agruras da sociedade, caracterizada, esta última, por separações, antagonismos e hierarquias.
Outras experiências – e também reflexões sobre essas experiências, e reiterações das experiências a partir das reflexões – visam aprofundar outra vertente da identidade nacional cultural. Menos seu aspecto comunitário, de comunhão, do que sua diferença, sua especificidade. Não forçosamente como quer o nacionalismo ingênuo, pela recuperação e expansão de uma cultura originária que teria, até o momento, ficado soterrada ou marginalizada. Nem pela constituição, em seu favor, de uma reserva de mercado. Mas pela multiplicação das interações entre a cultura cosmopolita (ou portuguesa, francesa, anglo-saxônica) que vem se reiterando desde os primórdios do Brasil (e que talvez mereça melhor a denominação de originária), e uma cultura endógena que, em seguida, se firmou aos poucos. Pode-se conceber, entre o pólo exógeno/endógeno e o pólo endógeno inúmeras modalidades de empréstimos, alianças, antagonismos. Pode continuar também havendo interpretações recíprocas, de cada pólo pelo outro – um sendo visto como residual e folclórico, o outro como artificial, fora de lugar. O essencial, porém, aos olhos dos que defendem a idéia de uma dualidade básica da cultura brasileira, é que ficam excluídas, seja a fusão harmoniosa dos dois pólos, seja a expulsão de um deles pelo outro, seja a sua coexistência pacífica mas estanque. A propósito deste último ponto: não há, como em outros lugares, duas culturas, uma para o povo, outra para as elites, embora possam se desenvolver acentuações num ou noutro sentido; cada brasileiro seria portador, ao menos em potencial, da mesma dualidade – que, aliás, foi explorada, em nível auto-referencial, por obras como as de Mário e Oswald de Andrade, e pelo Tropicalismo. É nessa igualdade tensa que residiria – e sem perspectiva de superação a curto e médio prazos – a identidade nacional cultural brasileira.
Há também a possibilidade de uma interação generalizada entre regiões, etnias, classes. E isso interessa tanto ao aspecto comunitário como ao aspecto da diferença da identidade cultural. Não há mais, apenas, generalização do Carnaval, do samba, do futebol – por justaposição, por exemplo, de inúmeros microcarnavais através da imensidão brasileira – mas a transformação, mediada pela TV, do Brasil em imenso auto-espetáculo. A nova transparência do espaço permite a todos presenciarem todos, pularem com todos. Parece que o privatismo da sociedade brasileira não é, nessa área, incompatível com a expansão do universal, da esfera pública. Cada um pode, ficando no seu lugar, participar de tudo com todos. Não há a dialética tensa de público e de privado, que vigora, ou deveria vigorar, na área política. Mas uma transição e uma oscilação suaves entre os dois pólos.
Ocorre algo parecido com a novela. Esta, hoje, vale menos pelo seu conteúdo, que pode ir de conservador a vagamente progressista, do que pelo fato de pôr todos em contato com todos: para onde quer que eu vá, sempre encontrarei pessoas para narrar ou comentar o capítulo da véspera. É aqui, talvez, que Mac Luhan tem razão: o meio é a mensagem. Mas há uma contrapartida: o conteúdo de uma novela, mesmo quando corrosivo, não mobiliza ninguém – pelo menos quando a participação na televisão se limita a si própria (o que, hoje, é a regra), não se inserindo num quadro mais amplo de práticas sociopolíticas.
6. A partir desses vários pontos é possível esboçar três teses, que estamos desenvolvendo no momento:
a) A identidade nacional brasileira não é uma só. As suas dimensões política e cultural, em particular, não têm caminhado juntas. Nem remetem a um mesmo espírito, à diferença do que acreditava Gilberto Freyre, para quem a tolerância mútua que reina na área sociocultural das relações humanas devia se traduzir, com naturalidade, por igual tolerância na área política: o liberalismo nosso não devia nem podia fundamentar-se, como o liberalismo anglo-saxônico, na competição onde ganha o melhor ou o mais astuto, mas na conciliação harmoniosa das diferenças. Não é bem assim: existe de fato, no Brasil, uma forma política da conciliação, mas esta, longe de se definir pela tolerância mútua, descansa na cooptação mais ou menos forçada do menos forte pelo mais forte.
b) O advento de uma identidade nacional forte, na área cívico-política, tem sido bloqueado desde as origens. Pretende-se mostrar como se estabeleceram mecanismos de reprodução quase automática das grandes desigualdades - o que dificultou, e ainda dificulta, a emergência e, sobretudo, a continuidade do nacional-popular. Na falta daquela identidade floresceram pseudo-identidades: umas artificiais outorgadas pelos grupos dominantes, pela Igreja, pelo Exército, pelo Estado; outras mais naturais, mas raquíticas, por resultarem, seja da acomodação dos atores às estruturas de dominação (caso da identidade fisiológica), seja da sua revolta, mas desprovida de bases, contra essas estruturas (caso da identidade ideológica). Os atores oscilavam – oscilam – entre essas várias identidades. O que significa que o ator não ancorava em nenhuma delas (não se identifica com a própria identidade) e que, como conseqüência, sua atuação era lábil, inconstante, pronta aos abandonos e recomeços. O abalo, ou mesmo a ruptura, hoje, de certos bloqueios permite todavia encarar a possibilidade de uma nova identidade, ao mesmo tempo menos oscilante e mais capaz de servir de pivô, de raiz para uma ação sociopolítica coerente e de longa duração.
c) No âmbito sociocultural não houve bloqueios parecidos, apesar do fato de um elemento impulsionador essencial, o negro, ter sido marginalizado – nesse âmbito também – até a década de 20, quando as perseguições ao samba de morro e aos terreiros de Candomblé começaram a diminuir. Essa expansão da esfera sociocultural, e de identidade nacional que se gera durante o processo, parece ter várias explicações. Citemos apenas duas. Primeiro, a própria pujança da afirmação negra e de outras camadas, marginalizadas ou subalternas. Essa pujança é, ao mesmo tempo, um fenômeno natural e uma resposta dessas camadas à sua exclusão da identidade cívico-política efetiva (senão teórica). Segundo, a tentativa por parte dos grupos dominantes de neutralizar as aspirações cívico-políticas das carnadas subalternas, valorizando, depois de tê-la combatido (até os anos 20), uma comunidade cultural nacional de que eles próprios podem fazer parte. O que representa, de um lado, uma estratégia válvula de escape (dirigida aos grupos subalternos) e, de outro lado, uma integração real, e não apenas ideológica, de todos os brasileiros, ricos e pobres. Só que essa integração, apesar de enaltecida, é simultaneamente folclorizada e no limite turistificada pelos de cima, por ser apenas cultural e polarizada em torno de valores de origem afro-brasileira.
7. Para tentar entender a gênese da dualidade entre identidade política e identidade cultural, e avaliar as possibilidades da sua evolução, temos utilizado, como fio condutor, a “Ideologia da Realidade Brasileira”. Entende-se por isso o conjunto das posições que, a partir de uma concepção global da sociedade brasileira e da sua história, procuram tirar ilações no que diz respeito à especificidade e ao destino dessa sociedade, da sua política da sua cultura. O termo ideologia não é utilizado num sentido pejorativo. Mesmo porque constam, no elenco dos trabalhos a serem analisados, obras de consagrada reputação científica. A intenção é tão-somente indicar que esses trabalhos se situam numa perspectiva engajada, seja ela explícita ou não.
A escolha desse conjunto ideológico, como fonte principal de reflexão sobre a identidade nacional brasileira, se prende ao fato de que, na maioria dos autores em foco, manifesta-se uma preocupação dominante pela constituição ou pela preservação da Nação brasileira; e pelos obstáculos, bloqueios, meios, caminhos que podem dificultar ou facilitar a consecução desses objetivos. Tudo isso dentro de uma perspectiva histórica, que pretende apontar fenômenos de longa duração, para além da diversidade das conjunturas. Espera-se do estudo da “Ideologia da Realidade Brasileira” três fontes de informação:
a) Os autores, mesmo os mais ideológicos (desta vez no sentido mais usual: pensamos em escritores como Oliveira Vianna, Gilberto Freyre, Cassiano Ricardo, Álvaro Vieira Pinto, Oliveiros S. Ferreira, etc.), podem apresentar, sob tal ou qual ponto, uma visão aceitável da identidade nacional brasileira. Ou seja: podem dar uma idéia da existência ou da inexistência dessa identidade; se existir, do seu caráter incipiente ou plenamente confirmado; do seu caráter global ou apenas setorial (restrito, por exemplo, ao âmbito cultural); ou das diferenças entre ela e outras formas de identidades nacionais; ou das causas disso tudo.
b) Por outro lado, grande parte desses autores formam, juntos, um campo estrutural. Em dois sentidos. Primeiro, defendem posições arquetípicas, isto é, recorrentes desde pelo menos o início do século, e as atitudes políticas e culturais concretas a que estão ligadas essas posições também são recorrentes e se revezam no papel hegemônico. Exemplos de tais atitudes, no âmbito político: a conciliação, o autoritarismo desmobilizador, o autoritarismo mobilizador. Segundo, pelas próprias modalidades da sua recorrência, da sua oposição e do seu revezamento, essas posições revelam indiretamente características do contexto social, político e cultural. É essa ida do texto ao contexto que queremos praticar e explorar. Não forçosamente no sentido de detectar interesses subjacentes de classes ou de etnias. Mas, sobretudo, de mostrar que certas coisas não poderiam ser ditas, ou seriam ditas de outro modo, se o contexto não apresentasse certos vazios, certas lacunas.
Tomemos um exemplo. No que diz respeito à identidade política – ou ao aspecto político da identidade brasileira – encontramos entre os autores uma dicotomia bastante rígida. Ou essa identidade é vista como já dada, no que tange ao essencial, seja a partir de um acontecimento fundador que se cristalizou em tradição, seja a partir de uma lenta sedimentação de traços etnoculturais. Ou então, a identidade é vista como a fazer - ou a refazer na perspectiva de alguns isebianos - a partir de um projeto radical de liberdade individual ou coletiva. Em termos sartrianos poderíamos dizer que lidamos com a oposição brutal do em si e do para si. Ora as identidades normais - nacionais e outras – escapam dessa dicotomia. Constituem-se, é claro, a partir de dados da geografia, da economia, das etnias, etc., no caso das identidades nacionais. Na outra ponta, se traduzem em projetos, e, no caso da Nação, há sempre uma luta entre vários projetos, que pretendem interpretá-la e capturar o símbolo Nação. Mas existe também um andar intermediário: o das interações coletivas de base, as quais, quando são efetivas – isto é, quando não são constituídas por meras relações de força -, dão ensejo ao surgimento e ao desenvolvimento de uma esfera pública. Essas interações, e seus resultados por sua vez, se desenvolvem através do tempo, permitindo a constituição de uma memória coletiva que constitui o núcleo da identidade nacional: é nela que os dados são transformados em projetos; é a partir dela, também, que os projetos, embora livres e não se reduzindo a um simples prolongamento do passado, vão aparecer como mais ou menos enraizados ou mais ou menos gratuitos, e, por isso, capazes ou não de adquirir força histórica. Ora, a ausência quase geral de referências, na literatura política brasileira, a esse núcleo deixa supor que ele é de fato inexistente. E que, talvez, não se possa até o momento falar, no sentido forte, de uma identidade política brasileira, embora haja possíveis sucedâneos.
c) Outro recurso oferecido pela “Ideologia da Realidade Brasileira” reside no seu engajamento. As suas propostas – no sentido de redescobrir, ou de forjar, ou de completar a identidade nacional – hão de ser vistas, elas próprias, como manifestações da identidade nacional, ou da sua ausência, ou do seu caráter incipiente, ou do seu fracasso. Por exemplo, o ISEB definia a Nação como o projeto de fazer existir a Nação (a Nação é auto-referencial, ela deve querer a si própria) através do desenvolvimento; e definia a identidade nacional, ou simétricamente a antibrasilidade, pelo fato de se associar ou não a esse projeto. Ora, essa atitude, assim como atitudes semelhantes dos Centros de Cultura Popular (CCP), se consubstanciou, no fim dos anos 50 e início dos 60, numa prática mobilizacionista que pode ser encarada não só como urna tentativa de fazer surgir a identidade nacional a partir da ideologia e da educação ideológica, mas também como um esboço de tal identidade. Esboço fracassado, como se viu em seguida, já que não emergia de uma memória histórica na qual ele pudesse se alicerçar. Se autoconcebia como sem passado e era de fato sem passado. Reduzindo-se, por isso mesmo, a uma simples tentativa de autoritarismo mobilizador.
8. O trabalho comporta também um capítulo teórico, em que se pretende definir:
a) O que é identidade, de modo geral. Procura-se mostrar que toda identidade humana implica não apenas uma certa permanência através do tempo (o que Paul Ricoeur chama de mesmice), mas também um aspecto auto-referencial; a identidade deve se enunciar, se reiterar, para ser (“Eu sou eu mesmo”). Essa reiteração, nós a chamamos – também utilizando Ricoeur – de ipseidade. Finalmente temos um terceiro patamar, no qual a identidade interpreta a si própria, se discute, quer se modificar, se projeta de tal ou qual maneira rumo ao futuro. Esse patamar é o da auto-reflexividade, que constitui um redobramento da auto-referencialidade.
b) O que é uma identidade de grupo. Ou seja, quais as complexidades novas trazidas pela interação entre vários pólos no seio de uma mesma identidade? Até que ponto é legítimo usar uma expressão como consciência coletiva?
c) O que é, especificamente, a identidade nacional. As páginas acima dão alguma idéia da nossa posição a respeito.
Michel Debrun, professor de Ciência Política da UNICAMP e membro da área de concentração de História das Ideologias e Mentalidades do IEA.
A identidade nacional brasileira não é uma só. As suas dimensões política e cultural, emparticular, não têm caminhado juntas. Nem remetem a um mesmo espírito…
(1) Ensaios coordenados por Marilena Chauí.
11ª Semana do Empreendedor – UNB
Despertar as capacidades empreendedoras estimular novos empreendimentos. É o que busca o Centro de Apoio ao Desenvolvimento Tecnológico da Universidade de Brasília – CDT/UnB com a realização da 11ª Semana do Empreendedor. O evento acontecerá entre os dias 18 e 20 de novembro no campus Darcy Ribeiro, campus Planaltina e edifício sede do CDT. Dentro da programação, os participantes poderão desenvolver suas aptidões empreendedoras em meio a palestras, oficinas, minicursos e uma experiência vivencial de coaching adventure.
A Semana do Empreendedor é um marco histórico do CDT, realizado tradicionalmente há 10 anos, com o objetivo de disseminar o Empreendedorismo por meio de informações atualizadas, curiosidades e experiências vivenciais do mercado empresarial local.
Maiores informações:
GEEMP. Fone: (61) 31074144/4115





